Hospitais privados investem em diagnóstico remoto e digitalização
Data:
2008/11/07
Fonte:
Decision Report
Imagine se toda vez que você fosse ao hospital não precisasse mais relatar ao médico as doenças que já teve, medicamentos aos quais é alérgico e tratamentos que já fez. E, ainda, se com apenas um clique o médico que o atendesse pudesse acessar todos os seus exames feitos, digitalizados, usando-os para fazer um diagnóstico muito mais rápido, completo e preciso. Com certeza, essa facilidade pouparia tempo e dinheiro de hospitais, planos de saúde e pacientes, além de permitir atendimentos mais rápidos. Em alguns casos, a agilidade de diagnóstico e a possibilidade de poder fazer isso remotamente, via Internet, poderia até salvar vidas. Para que esse cenário seja realidade futuramente, o primeiro passo a ser dado é disponibilizar informações digitalizadas dos pacientes, um dos principais desafios dos hospitais atualmente. O movimento indica uma nova fase do mercado de tecnologia voltada para o segmento de saúde, na qual as grandes tendências são a mobilidade possibilitada pela disponibilização de dados via Web e a integração das várias cadeias do sistema de saúde. No entanto, para que essa integração de dados entre todos os estabelecimentos da área realmente aconteça, é necessário que haja, primeiro, uma padronização no arquivamento dos dados – demanda provocada pela implementação do TISS, Padrão para Troca de Informação em Saúde Suplementar formulado pela ANS (Agência Nacional de Saúde). O TISS define o modelo no qual deve ser baseada a troca de dados entre operadoras de plano privado e prestadores de serviços de saúde sobre o atendimento aos beneficiários. Seu objetivo é atingir a compatibilidade e interoperabilidade funcional entre os diversos sistemas independentes da área de saúde para tornar possível a avaliação da assistência e seus resultados, orientando o planejamento do setor. Segundo a ANS, durante o mês de outubro de 2007 apenas 20% das trocas de informações entre operadoras de saúde e hospitais foram feitas por meio eletrônico, número menor que o das clínicas especializadas (21%), consultórios médicos (34%), pronto-socorros (36%) e laboratórios (66%), os mais adaptados ao TISS até então. As 516 operadoras de saúde que responderam ao questionário atendem a cerca de 70% dos beneficiários do País. Ainda segundo a ANS, o TISS não exige nenhuma informação nova. Todas as informações que constam no novo padrão já eram, de alguma maneira, trocadas no mercado e as exigências se pautam em diretrizes internacionais de segurança. A novidade é a exigência pela digitalização dos dados. Mobilidade em alta Para a maioria dos hospitais, o PEP será um dos principais motivadores para aquisições de soluções de mobilidade. É o que aponta pesquisa realizada em julho desse ano pela ECM Assessoria & Marketing com 43 gestores da área de TI dos principais hospitais da Grande São Paulo. O estudo mostra que praticamente um quarto dos hospitais entrevistados deverá destinar aproximadamente R$ 300 mil em investimentos em TI para os próximos meses, o que representa 30% de aumento em relação ao mesmo período no ano passado. O montante será destinado não só para adaptação ao TISS e implementação de prontuário eletrônico, mas também para a área de telemedicina (digitalização de exames). “A necessidade de mobilidade traz também demanda por outras tecnologias, como GED (Gerenciamento Eletrônico de Documentos) por causa do aumento da necessidade de diagnósticos remotos”, analisa Elcio Morelli, diretor comercial da ECM. Entre os hospitais entrevistados, 75% deles geram faturamento entre R$ 10 milhões e R$ 250 milhões, e 51% possuem de mil a 5 mil funcionários. Integração total ANOTE: 1 - Segundo pesquisa da Frost&Sullivan, o mercado de TI em Saúde na Europa ultrapassou os US$ 5 bilhões em 2007 e cresce 10% ao ano, um dos maiores índices em toda a indústria. 2 - Nos próximos meses cerca de 25% dos hospitais da grande São Paulo devem investir R$ 300 mil em TI, valor 30% maior que no mesmo período do ano passado. Entre os principais motivadores do investimento estão prontuário eletrônico, TISS e mobilidade. Durante o mês de outubro de 2007, apenas 20% das trocas de informações entre operadoras de saúde e hospitais foram feitas por meio eletrônico, segundo a ANS.
Mas não é só o TISS que está incentivando investimentos de TI nos grandes hospitais privados atualmente. A necessidade de integrar informações do Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) com outras áreas e, com isso, melhorar eficiência do atendimento e dos diagnósticos também é uma grande preocupação. Para que isso aconteça, a tendência é que os hospitais disponibilizem as informações armazenadas digitalmente no PEP, na Web, para que pacientes e médicos possam ter acesso ao material a qualquer hora e lugar, agilizando diagnósticos remotos e prescrição de medicamentos.
Segundo o consultor Enio Salu, sócio da Escepti, consultoria de engenharia de processos e TI na área hospitalar, depois que a implementação do prontuário eletrônico estiver consolidada nos grandes hospitais privados, o que deve crescer é a integração do prontuário com os custos gerados em cada atendimento. “Os hospitais passarão a ter um controle por procedimento, antes do prontuário isso seria muito difícil”, diz Salu. Para Bruno Iared, consultor da Frost&Sullivan, antes os hospitais usavam sistemas isolados. “Hoje cresce a integração entre os diferentes departamentos”, analisa o consultor.

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